25 de abr de 2012

Dica do Henriquinho para quem quer ser roteirista

Há anos, algumas pessoas me procuram para pedir dicas sobre como escrever roteiros de televisão, peças de teatro e outros textos para dramaturgia e sobre como ingressar nesta carreira. Muitas até me mandam sinopses, roteiros e projetos de cenas e pedem para que eu analise o material.
Baseado no teor da maioria dos textos que me enviaram (até mesmo de quando trabalhei analisando esse material), antes de dar qualquer aula sobre formatação e sintaxe de como fazer um roteiro, a principal dica que sempre ofereço a quem quer escrever algo nessa área, por mais óbvia que seja, é "aprenda a escrever".

Lembra daqueles exercícios de redação que sua professora de Português mandava fazer na escola e que você achava um saco? Lembra das regras de gramática, de acentuação e de ortografia chatinhas de decorar? Lembra daqueles livros que você era obrigado a ler todo bimestre para fazer um trabalhinho a respeito? Se você sentiu certo desconforto só de se recordar dessas atividades do seu passado escolar, saiba que suas chances de ser um bom autor já estão reduzidas pela metade.

Por mais que você tenha ideias fantásticas, originais e mirabolantes para contar histórias e criar personagens, se não souber expor o fruto da sua criatividade dentro de uma certa coerência de redação e de acordo com as normas da língua portuguesa, dificilmente você terá sua criação compreendida e principalmente selecionada por quem avalia textos (no caso de quem busca uma primeira oportunidade na área).

Não querendo fazer fofoca, mas já fazendo: há alguns anos, atores de uma determinada emissora rebelaram-se e negaram-se a fazer uma determinada novela porque o texto da autora era repleto de erros grosseiros de português, além de falas e rubricas sem nexo.

Muitos atores, sobretudo os de gerações mais antigas, prepararam-se muito para sua profissão. Leram muitos livros e textos clássicos de teatro, tem um nível cultural mais elevado (diferentes de parte dos atores lançados recentemente que fazem vexame com suas mensagens mal redigidas no twitter e outros sites de relacionamentos) e, com razão, não querem comprometer suas carreiras interpetando textos ilógicos e mal escritos, com um você escrito com "ç" ou um "eu ti amo", para não citar outros erros assustadores de concordância nomimal.

Antes de começar a escrever um roteiro, pergunte a si  mesmo como andam seu português e sua redação. Nossa língua não é nada fácil e todos somos passíveis de erros, mas não custa nada nos policiarmos para não fazermos feio. A internet é uma ótima ferramenta nesse sentido. Oferece corretores ortográficos, sites que tiram dúvidas de gramática e dicionários online que facilitam em muito a vida de quem escreve (bem diferente de quando eu comecei, nos tempos da máquina de escrever, cuja fita emperrava e que vários erros de datilografia me condenavam a refazer uma lauda inteira).
Existem no mercado bons livros e cursos que ensinam técnicas de roteirização. Entretanto de nada adianta investir seu dinheiro neles se não estiver seguro com relação ao básico que a escola lhe ofereceu no passado, você não aproveitou e que os manuais e os professores de roteiro também não lhe darão agora: as aulas de português.


Lembrando também que nunca é tarde para se (re)aprender. E é claro que a coisa não se resume a isso, mas já é meio caminho andado para um bom começo!