25 de abr. de 2012

Acrescentando

Quando me propus a fazer este blog, me comprometi a não fazer a linha mensageiro da autoajuda (mesmo porque já existe muita gente fazendo isso na net - e bem mal por sinal!), porém, desde algum tempo, tenho um assuntozinho engasgado que não posso deixar de comentar.
Conheço muita gente que só sabe relacionar-se com as pessoas se estas preencherem uma série de (re)quesitos comuns a um questionário de pesquisa de mercado ou de um censo do IBGE.
É essencial saber do outro o grau de escolaridade, o nível social, o ano e o modelo do carro que possui, se mora em casa própria, qual a renda mensal, o emprego e o cargo que exercei, quantos televisores e banheiros tem em casa, e por aí vai… Só falta perguntar a quantidade de picotes do papel higiênico e o aroma do Bom Ar que ela usa nas instalações sanitárias…
A desculpa para todo esse interrogatório é quase sempre a mesma: conhecer alguém que “acrescente” algo para sua vida.
Assim, só depois de analisar as respostas obtidas nessa investigação, é que dá para saber se a pessoa realmente serve para ser amiga, para namorar, ou para  pelo menos, servir como mais um contato importante para trabalhos ou eventos sociais.
Devido às coisas começarem a partir desse pressuposto é que muitos casamentos são infelizes e fracassam logo, amizades são fúteis e tão profundas quanto uma piscina Regan e o comportamento interesseiro cada vez mais ulula. Afeto, afinidades, semelhanças de caráter e opiniões viraram ítens opcionais dentro das relações humanas.

Quem ama curriculum é recrutadora de RH. Quem se liga em nível social é pesquisador do IBGE. Eu amo e me ligo em seres humanos com bom caráter e idoneidade. E só! O resto são detalhes que são conhecidos com o tempo e que até podem influir num relacionamento (não nego!), mas não são primordiais. Aliás, eu nunca fui receita de bolo para alguém me “acrescentar” ingredientes. 
E não adianta: quem tentar mudar minha opinião com relação a isso vai perder seu precioso (ou ocioso) tempo!